Skip to main content

Nanotecnologia sustentável desenvolvida no CTNano/UFMG poderá beneficiar a população do semiárido mineiro


31/03/2026


Categorias

Pesquisadores do Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da Universidade Federal de Minas Gerais (CTNano/UFMG) – Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) de Materiais Avançados e Nanotecnologia – estão à frente de um projeto que tem tudo para mudar a vida de inúmeras famílias do semiárido mineiro. Numa região caracterizada pela distribuição irregular de chuvas, a alta capacidade de retenção de água no solo é fundamental no combate à desertificação.

Intitulado “Desenvolvimento Nanotecnológico e sustentável de uma cadeia produtiva para o semiárido mineiro com base na comercialização de própolis verde”, o projeto, coordenado pelo professor Geraldo Wilson Fernandes, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, tem como meta a mitigação do dano ambiental da poluição por plásticos em larga escala.

Como? Transformando esse material numa nanoestrutura de carbono ligada a um particulado sólido para uso em solos como um nanocompósito que favoreça a retenção de água e o combate a processos de desertificação. A iniciativa tem financiamento da ordem de R$ 2,33 milhões pela Fapemig.

“O que buscamos é o desenvolvimento de tecnologia e testes em campo de plantio de Alecrim do Campo em zonas rurais mineiras sujeitas a processos de desertificação para mitigar e reduzir o impacto da redução de fertilidade do solo. Com isso, incentivamos também as comunidades locais para a criação de abelhas visando à produção de própolis verde. Em 2026, iniciaremos a fase de testes em cidades do norte de Minas Gerais”, assegura o professor Luiz Orlando Ladeira, um dos pesquisadores do projeto, com graduação e doutorado em Física pela UFMG. Em suma, uma alternativa sustentável de geração de emprego e renda para as comunidades da região.

Poluição
O descarte incorreto de PET causa poluição de solos e corpos d’água, impacta a vida selvagem marinha e terrestre, além de contaminar a água e o solo com microplásticos. Já o descarte em aterros sanitários contribui para o aumento do volume de lixo, onde a garrafa pode permanecer por centenas de anos, demorando de 400 a 800 anos para se decompor. A ingestão de animais contaminados por microplásticos e a contaminação da água potável podem levar a problemas de saúde humana, incluindo doenças hormonais e metabólicas, dependendo dos compostos químicos presentes no plástico.

A produção em larga escala dos materiais sintéticos à base de plástico começou por volta dos anos 50. Desde então, estima-se que em 65 anos o mundo produziu 8,3 bilhões de toneladas de plástico, mas só reciclou 9% desse total. Mesmo com todos os problemas já identificados, o ritmo de produção e descarte não diminui: até 2050, existirão pelo menos mais 12 bilhões de toneladas de plástico no meio ambiente.

Centro de nanotecnologia avançada
O CTNano/UFMG é pioneiro na síntese de nanotubos de carbono no Brasil e ampliou o seu portfólio ao longo dos anos para uma dezena de nanomateriais produzidos em escala piloto. Sua equipe abrange especialistas em diferentes áreas como física, química, biologia e engenharias. São mais de 40 patentes depositadas em nanomateriais, vários projetos de P&D e de prestações de serviços, centenas de artigos publicados e mais de 150 colaboradores. A equipe técnica, estrutura e equipamentos permitem estabelecer parcerias com empresas de diferentes setores, tanto em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como na prestação de serviços, como Petrobrás, Vale, Gerdau, Suzano e Intercement, entre outras.

Segundo o professor Luiz Orlando Ladeira, o projeto visa mitigar o dano ambiental causado pelo descarte de plásticos, favorecendo a cadeia produtiva do própolis verde

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *