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Inovação e Padronização – o que muda na gestão da inovação em 2026


14/01/2026


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Por Welbert Luiz Silva*

No início do ano passado, refleti sobre o aparente paradoxo entre inovação e padronização, especialmente após o lançamento da ISO 56001:2024, que reforçou a inovação como um processo intencional, estruturado e orientado à geração de valor [1].


O World Development Report 2025, do Banco Mundial, reposiciona as normas técnicas como uma infraestrutura invisível, porém essencial, para o desenvolvimento econômico, a difusão tecnológica e a competitividade global. O relatório destaca que padrões bem concebidos não limitam a inovação — ao contrário, criam as condições para que ela seja escalável, confiável e inclusiva [2].

Para acadêmicos e pesquisadores da área de inovação, esse movimento também se reflete no avanço do debate científico internacional. Um exemplo emblemático é a chamada de artigos (call for papers) recentemente publicada pelo Journal of Innovation Management, dedicada ao tema Innovation Management Systems: towards more systemic and systematic approaches for innovation. A chamada reconhece explicitamente a ISO 56001 como um marco relevante e convida pesquisadores a investigar, de forma teórica e empírica, como sistemas de gestão da inovação podem contribuir para práticas mais eficazes, sustentáveis e integradas [3]. Esse alinhamento entre agendas acadêmicas, normativas e de políticas públicas evidencia que inovação e padronização deixam de ser tratadas como forças opostas e passam a ser compreendidas como elementos complementares na construção de capacidades inovadoras organizacionais e institucionais.


Com 2026 em curso, esse debate ganha novos contornos.


A ISO 56001 consolida uma convergência relevante ao reforçar que inovação e padronização atuam de forma complementar: enquanto a inovação gera novos referenciais, a padronização consolida, difunde e sustenta o valor criado. Nesse sentido, a gestão da inovação assume um papel cada vez mais estratégico, tanto no desempenho organizacional quanto no fortalecimento das capacidades institucionais de longo prazo.


Assim como as demais normas da família ISO 56000, a ISO 56001 é fundamentada em princípios essenciais da gestão da inovação, tais como: realização de valor, liderança orientada ao futuro, direção estratégica, cultura, exploração de insights, gestão de incertezas, adaptabilidade e abordagem sistêmica [4]. Sua estrutura de alto nível é compatível com outros sistemas de gestão ISO, o que facilita sua integração aos processos organizacionais existentes.


O sistema de gestão da inovação proposto está organizado em sete elementos inter-relacionados: contexto da organização, liderança, planejamento, suporte, operação, avaliação de desempenho e melhoria contínua [4].


Benefícios esperados
De acordo com a ISO, a adoção da ISO 56001 pode gerar benefícios estratégicos como:


• melhoria do desempenho da inovação em ambientes incertos;
• maior geração de valor a partir de produtos, serviços, processos e modelos inovadores;
• desenvolvimento sustentável das capacidades inovadoras;
• fortalecimento da reputação organizacional;
• ampliação da colaboração em cadeias de valor e ecossistemas de inovação;
• maior atratividade para financiadores e investidores;
• aumento da resiliência e da capacidade de adaptação organizacional [4].


O que muda na gestão da inovação em 2026
O ano de 2026 marca uma inflexão importante. A inovação deixa de ser tratada como iniciativas isoladas ou dependentes de talentos individuais e passa a ser compreendida como uma capacidade organizacional governada, mensurável e alinhada à estratégia.


Na prática, observa-se maior integração entre inovação e direcionamento estratégico, com critérios claros de priorização, liderança mais ativa na construção da cultura de inovação e gestão estruturada das incertezas. Ganham destaque também os mecanismos de avaliação de desempenho, diferenciando ideias, experimentos, inovações em desenvolvimento e resultados efetivamente gerados. Mais do que gerar boas ideias, o diferencial competitivo passa a ser sustentar, escalar e aprender continuamente com a inovação [1][2][3][4].


Certificação? Só com alinhamento estratégico
A ISO 56001 não deve ser vista apenas como uma norma voltada à certificação. Seu propósito central é fortalecer, de forma consistente, a capacidade inovadora das organizações. A certificação só deve ser considerada quando plenamente alinhada à estratégia e aos princípios da gestão da inovação.


Cabe destacar que o esquema de certificação para sistemas de gestão da inovação ainda está em elaboração no âmbito da ISO/CASCO, por meio do desenvolvimento de requisitos de competência para organismos de auditoria e certificação [5]. Esse movimento indica que a infraestrutura internacional de avaliação da conformidade para a ISO 56001 ainda está em construção, reforçando a necessidade de cautela e maturidade estratégica na adoção de iniciativas de certificação.

Considerações finais
Para gestores, especialistas e acadêmicos, a ISO 56001 consolida-se como um referencial estratégico para que organizações, em 2026, revisitem suas práticas, fortaleçam suas capacidades inovadoras e avancem rumo a uma gestão da inovação mais intencional, estruturada e orientada à geração de valor.


Mais do que atender a requisitos normativos, trata-se de utilizar a norma como instrumento de aprendizado organizacional, adaptação e competitividade em um ambiente cada vez mais dinâmico e incerto. Que 2026 seja um ano de decisões conscientes, inovação consistente e avanços sustentáveis.

Referências
[1] Luiz, W. (2024, December 26). Innovation and standardization: An apparent paradox. LinkedIn. https://www.linkedin.com/pulse/innovation-standardization-apparent-paradox-welbert-luiz-b74yf/

[2] World Bank. (2025). World Development Report 2025: Standards for development. World Bank. https://www.worldbank.org/en/publication/wdr2025

[3] Journal of Innovation Management. (2025, novembro 16). Special issue – Call for submissions: Innovation Management Systems – towards more systemic and systematic approaches for innovation. Journal of Innovation Management. https://journalsojs3.fe.up.pt/index.php/jim/announcement/view/29

[4] International Organization for Standardization. (2024). ISO 56001:2024 — Innovation management system — Requirements. ISO. https://www.iso.org/standard/79278.html

[5] International Organization for Standardization. (2024). ISO/IEC AWI TS 17021-16: Conformity assessment — Requirements for bodies providing audit and certification of management systems — Part 16: Competence requirements for auditing and certification of innovation management systems. ISO. https://www.iso.org/standard/91778.html


*Welbert é Project Manager, Product Owner, Scrum Master / Coordenador do Núcleo de Gestão de Projetos – Unidade Embrapii/CTNano.

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